Não satisfeito com o resultado do referendo de 2007, contrário às reeleições ilimitadas para a presidência, mais uma vez Hugo Chávez coloca o assunto em pauta, dessa vez incluindo todos os cargos públicos do país. É claro que ele não ia desistir. Conseguiu, e mesmo que não tivesse conseguido, o mesmo referendo voltaria a acontecer, quantas vezes fosse preciso.
Parece estranho que da última vez o “não” tenha ganhado e agora, com a população bem mais conscientizada do que há dois anos, tenha perdido. A explicação é mais simples do que parece: o número de chavistas votando na época foi muito pequeno, insuficiente para superar o número de pessoas que se opunham. Na verdade, não foi a oposição quem ganhou, foi o governo quem perdeu. E isso pode até ter fortalecido o governo de Chávez a médio e longo prazo, mas também preocupou. Hoje o número de pessoas que foram as urnas dizer não é significativo.
Na Venezuela a democracia parece um mar de rosas. Lá o voto é facultativo, todos os cidadãos são livres para irem, ou não, às urnas e votar. Eles podem escolher se querem escolher. Porém, mesmo que valores democráticos como a pluralidade e a diversidade políticas estejam previstos na Constituição, isso parece não fazer diferença. Muitos podem pensar: “mas muitas constituições são alteradas e ajustadas, e por vezes o povo sequer é consultado para isso, pelo menos Chávez está consultando o povo”. Papo furado! Ele está “permitindo” que a população decida, democraticamente, se quer acabar com mais um pilar da democracia ou não. Francamente! O que o atual presidente da Venezuela faz e propõe nada mais é que uma democracia extremamente maquiada, cuja verdadeira face os cidadãos venezuelanos mal conseguem se lembrar. E vivem essa democracia que é mostrada a eles, contentados, crentes que governo mais democrático não há. Na prática, a teoria é outra.
Falar em um golpe soa muito agressivo, mas Chavéz está caminhando cuidadosamente para conseguir o que quer, governar a Venezuela durante os próximos 40 anos. Não é exagero, durante a campanha, Chávez chegou a afirmar que pretende governar até 2049.
Foram necessárias chantagens baratas de que sem ele haverá guerra e caos. Intolerância e desrespeito às forças de oposição. O presidente controla todos os poderes e até mesmo a Assembléia Nacional está submetida às suas vontades. Fica difícil agir com as mãos amarradas, mas estão lutando contra como podem. E depois do resultado deste referendo, parece que estão cada vez mais perto de conseguir. Sobra para quem protagonizar essa luta? Para os estudantes, claro, que vêem seu país cada vez mais ultrapassado e enterrado em uma (ainda não considerada) ditadura perpétua e repetitiva.
Muito deveria admirar que Chávez tenha conseguido dessa vez. O tráfico de drogas tem envolvimento com a polícia venezuelana e a criminalidade continua crescendo: em 10 anos o número de homicídios quase triplicou. No ano passado a inflação atingiu quase 32% (precisamente 31,7%), a maior porcentagem da América do Sul. E se o governo de Chávez conseguiu reduzir o índice de pobreza pela metade no país (o que é louvável), ele deve isso não a atos de seu governo, mas ao fato de a Venezuela ser o maior exportador de petróleo da América Latina e o quarto maior fornecedor dos EUA. O que está custeando os projetos sociais é justamente o petróleo. Se não fosse por isso, estavam perdidos os venezuelanos.
Hugo Chávez está brincando de democracia com seus bonecos-cidadãos e sendo cada vez mais mimado. Mais uma vontade sua foi satisfeita. Veremos até quando Chávez levará sua “Revolução Bolivariana” adiante.

Parece estranho que da última vez o “não” tenha ganhado e agora, com a população bem mais conscientizada do que há dois anos, tenha perdido. A explicação é mais simples do que parece: o número de chavistas votando na época foi muito pequeno, insuficiente para superar o número de pessoas que se opunham. Na verdade, não foi a oposição quem ganhou, foi o governo quem perdeu. E isso pode até ter fortalecido o governo de Chávez a médio e longo prazo, mas também preocupou. Hoje o número de pessoas que foram as urnas dizer não é significativo.
Na Venezuela a democracia parece um mar de rosas. Lá o voto é facultativo, todos os cidadãos são livres para irem, ou não, às urnas e votar. Eles podem escolher se querem escolher. Porém, mesmo que valores democráticos como a pluralidade e a diversidade políticas estejam previstos na Constituição, isso parece não fazer diferença. Muitos podem pensar: “mas muitas constituições são alteradas e ajustadas, e por vezes o povo sequer é consultado para isso, pelo menos Chávez está consultando o povo”. Papo furado! Ele está “permitindo” que a população decida, democraticamente, se quer acabar com mais um pilar da democracia ou não. Francamente! O que o atual presidente da Venezuela faz e propõe nada mais é que uma democracia extremamente maquiada, cuja verdadeira face os cidadãos venezuelanos mal conseguem se lembrar. E vivem essa democracia que é mostrada a eles, contentados, crentes que governo mais democrático não há. Na prática, a teoria é outra.
Falar em um golpe soa muito agressivo, mas Chavéz está caminhando cuidadosamente para conseguir o que quer, governar a Venezuela durante os próximos 40 anos. Não é exagero, durante a campanha, Chávez chegou a afirmar que pretende governar até 2049.
Foram necessárias chantagens baratas de que sem ele haverá guerra e caos. Intolerância e desrespeito às forças de oposição. O presidente controla todos os poderes e até mesmo a Assembléia Nacional está submetida às suas vontades. Fica difícil agir com as mãos amarradas, mas estão lutando contra como podem. E depois do resultado deste referendo, parece que estão cada vez mais perto de conseguir. Sobra para quem protagonizar essa luta? Para os estudantes, claro, que vêem seu país cada vez mais ultrapassado e enterrado em uma (ainda não considerada) ditadura perpétua e repetitiva.
Muito deveria admirar que Chávez tenha conseguido dessa vez. O tráfico de drogas tem envolvimento com a polícia venezuelana e a criminalidade continua crescendo: em 10 anos o número de homicídios quase triplicou. No ano passado a inflação atingiu quase 32% (precisamente 31,7%), a maior porcentagem da América do Sul. E se o governo de Chávez conseguiu reduzir o índice de pobreza pela metade no país (o que é louvável), ele deve isso não a atos de seu governo, mas ao fato de a Venezuela ser o maior exportador de petróleo da América Latina e o quarto maior fornecedor dos EUA. O que está custeando os projetos sociais é justamente o petróleo. Se não fosse por isso, estavam perdidos os venezuelanos.
Hugo Chávez está brincando de democracia com seus bonecos-cidadãos e sendo cada vez mais mimado. Mais uma vontade sua foi satisfeita. Veremos até quando Chávez levará sua “Revolução Bolivariana” adiante.




